INVENTÁRIO MUNICIPAL DE MUZAMBINHO - PARTE 1

Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Muzambinho

1. Igrejinha dos Buenos – Bairro São Domingos

Foto do Acervo do Museu Municipal (dezembro de 2002)

A capela está localizada no Sítio Guaritá, Bairro São Domingos, a 9km da Zona Urbana e 2km da BR-491. O Setor de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (SPHAC) realizou inventários nos anos 2000, 2003 e 2007, mas a prefeitura não atendeu à solicitação de tombamento feita pelos proprietários em 28/05/2007.

A capela foi construída por Ananias Bueno, em agradecimento por ter “voltado” à vida. Pelo que consta, o fazendeiro sofria de catalepsia e, após um ataque foi considerado morto, tendo recuperado os sentidos já dentro do caixão. Em virtude do “milagre” mandou construir a capela. Foi inaugurada em 01.05.1891 e outra sala foi acrescentada em 21.09.1912. 

O edifício possui dois blocos interligados e em formato retangular, ambos com telhado tipo capa de gangalha recobertos com telhas tipo francesas. Possui em sua fachada principal empena com tímpano orlado com moldura e um óculo central, abaixo, encontra uma cimalha existente nesta fachada e nas duas laterais; ainda nesta fachada encontramos quatro meias colunas distribuídas simetricamente e uma portada com verga em arco e folhas bifore em estrutura metálica composta de quinze panos de vidro cada folha e quatro na bandeira, sendo estes vidros floretados transparentes. Em suas fachadas laterais encontramos duas janelas de cada lado orladas com chambranas e caixilho tipo guilhotina com nove panos de vidros lisos transparentes e duas folhas de escuros.

Em 1978, a porta foi substituída por outra metálica, descaracterizando sua fachada principal. O altar de madeira foi substituído por alvenaria com cerâmica de diferentes padrões. O piso interno que originalmente era de tábua corrida foi substituído por piso cerâmico, provocando recalque na fundação. As paredes estão "amarradas" com três canos. 

Em 2004, a Vigilância Epidemiológica encontrou um grande foco de barbeiros e em 2008, outra suspeita de foco. 

Em 05/07/2007, os padres ingressaram com ação judicial alegando que a posse da capela foi doada pelo construtor Ananias Bueno em 1891, mas não apresentaram prova, afirmando que foi doação verbal.  Esta ação está aguardando decisão no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília.

Em 2009, os padres construíram uma cerca de alambrado sem autorização judicial. Atualmente, a capela está fechada. Antes da suposta posse eclesiástica (ainda não julgada no STJ), a família a mantinha aberta, permitindo o acesso a qualquer pessoa.


Texto de Marta Bueno, descendente de Ananias Bueno.

              
             

Fotos do SPHAC, de dezembro de 2002, Luiz Ricardo de Podestá, constantes do Inventário






2. Capela de Nossa Senhora da Aparecida – Fazenda Muzambo – São Domingos

Foto do Acervo do Museu Municipal

                De propriedade de Miguel Marques Piza, constante do inventário do SPHAC de 2004, está localizada num descampado distante pelo menos 150 m de qualquer outra construção. Na capela marca a construção de 1951 (pois a sede da casa da Fazenda é de 1890, e a data pode indicar uma reforma), mas não há indícios suficientes para concluir que esta foi a data da construção. A capela não é frequentada regularmente, mas apenas em dias festivos, especialmente em maio e junho (onde se realizam terços em homenagem para Santo Antônio, São João e São Pedro). Antigamente as celebrações na capela eram muito concorridas.
                O imóvel não é tombado para o Patrimônio Histórico e Cultural do Município, e na referência do inventário de 2004 do SPHAC:
O imóvel apresenta planta no formato retangular, com cobertura em duas águas do tipo capa de cangalha e recobertos com telha cerâmica tipo Marselha. Sua alvenaria é composta de tijolos de barro cozido assentados com argamassa de saibro e revestida com argamassa de cimento/cal/areia. Seu alicerce é de pedras grandes calçadas com pedras menores e argamassada em seus interstícios com massa de saibro. Em sua empena principal encontramos um frontão triangular com arestas superiores irregular e dois pináculos laterais com um central coroando a alvenaria, sendo este acimado por uma cruz metálica. No tímpano do frontão encontramos a representação de um vaso com dois ramos de café saindo um para cada lado com as pontas voltadas para baixo. Abaixo do frontão encontramos uma linha de cimalha. Em seus cunhais encontramos dentículos na posição vertical. O imóvel só possui a porta principal como abertura e esta possui verga reta, sendo do tipo bifore com folhas engradadas e chambranas de entorno. Junto a verga superior da porta encontramos outros dois ramos de café porém com as pontas voltadas para cima. Junto a porta principal encontramos uma escadaria composta de seis degraus. O imóvel é circundado por um muro de 1,50 metros de altura.

A ficha foi elaborada em março de 2003 com base em pesquisas entre abril de 2002 a março de 2003, onde foi entrevistado o proprietário pelos Srs. Luiz Ricardo de Podestá, Neide Barbosa de Souza e Marcos Roberto Cândido.


3. Escola Municipal de Palméia

Foto do SPHAC


            A escolha daquele local para a Estação de Ferro foi devido a produção de café em diversas fazendas ao redor, o que ocorre até hoje, sendo o local com maior produção de café do município os arredores da Palméia.
            O primeiro portador da Estrada foi Antônio Martins Labanca, filho do primeiro proprietário das terras, Donato Labanca.
            A ferrovia funcionou a partir do início do século XX até a metade. Em 1979 a Prefeitura desapropriou os imóveis da FEPASA em 16 de junho de 1977, através do Decreto 433/77. A desapropriação durou 5 anos, pagos Cr$ 61.991,70.
                O SPHAC no inventário de 2004 descreveu:
A construção segue uma linha própria da Arquitetura Ferroviária Brasileira adotada no final do século XIX e início do século XX. Apresenta planta de forma retangular em seu bloco principal, sendo construído em alvenaria de tijolo de barro cozido aparente assentados com argamassa de cimento e areia sobre alicerce de pedra de mão. Sua cobertura é do tipo capa de cangalha recoberta ainda hoje com telhas tipo francesas importadas de Marselha (França). A estrutura de seu telhado é composta de tesouras e terças apresentando pangaio em suas fachadas frontal e posterior (plataforma), apoiados por mão-francesa. No tímpano de suas empenas encontramos uma inscrição com o nome da estação. Este bloco, hoje, encontra-se modificado devido ao seu uso atual com escola de 1º grau, sendo que foi acrescida mais uma ala (refeitório), com cobertura de telhas de fibrocimento, onde originalmente era quintal da casa do chefe de estação e, possuindo várias portas e janelas modificadas. A Casa de Portadores (denominação original), possui as mesmas características construtivas do bloco principal no que se refere a alvenaria e cobertura. Atualmente uma de suas unidades serve de moradia a um aposentado da ferrovia e outra parte de pré-escola. A simplicidade de sua ornamentação se realça devido a sua alvenaria aparente que apresenta assentamento em aparelho flamengo. Possui uma fileira de tijolos em ponta-cordel no coroamento de suas alvejarias e apresenta seus pilares e cunhais salientes. Suas portas são do tipo bifore e possuem vergas em alvenaria de tijolos aparentes em posição contrária a alvenaria. As janelas possuem peitoril em esbarro e são do tipo guilhotina com seis panos de vidro liso transparente em cada parte de seus caixilhos e, possuem dois escuros internamente. Na fachada frontal encontramos duas escadas, uma de acesso a ala da antiga residência do chefe de estação e outra de acesso ao antigo saguão e, uma pequena plataforma junto a antiga porta do armazém que servia de apoio ao embarque e desembarque de mercadorias. No tímpano do bloco principal encontramos um óculo circundado por tijolos formando desenho.
            A Estação foi tombada para o Patrimônio Histórico pelo Decreto Municipal 1.211 de 10 de abril de 1997. A casa do portador e a estação sofreu alterações.

Fotos do SPHAC, de dezembro de 2002, Luiz Ricardo de Podestá, constantes do Inventário




4. Fazenda “Córrego dos Paula” – Chico Rosendo – Barra Bonita

Acervo do SPHAC
                A Fazenda de propriedade de Francisco Nicolau da Silva (Chico Rosendo), na Barra Bonita, se situa no sopé de um morro em terreno de pouca declividade para direita de quem olha sua fachada principal em meio de gramados e árvores. Nos arredores da residência há diversas outras residências de épocas diferentes. Passa 50 m da residência a estrada que liga a Barra Bonita à outras fazendas e 150 m o Ribeirão Barra Bonita.
                A residência tem mais de 150 anos segundo o proprietário, construída pelo Sr. João de Paula, parente da esposa de Chico Rosendo, Sra. Ernestina Nicolau Rosendo. Na época da construção, no bairro, as casas eram 3 km de distância uma das outras, e foram utilizadas madeira cortadas próximas da casa.
                Aliás, João de Paula construiu um barracão, concluído por Joaquim de Paula, sem rebocá-la. Depois de algumas gerações e divisões das terras pelos herdeiros, a casa passou para Emídio Rodrigues da Silva, filho de Beto Paula e sua esposa Ana Rita de Jesus, pais da Sra. Ernestina. Porém, a Sra. Ernestina não herdou a casa com a morte do pai, que foi comprada pelo Sr. Chico Rosendo com financiamento do Banco do Brasil.
                A casa não é tombada e consta do acervo de 2004 do SPHAC:
A simplicidade do partido arquitetônico adotado nesta residência faz dela um dos poucos exemplares ainda existentes no município. Desprovida de quaisquer  ornamentos, mas de grande valor arquitetônico devido a sua técnica construtiva. O imóvel possui telhado em seis águas no corpo principal e três águas independentes sendo uma do alpendre na fachada principal, uma junto a porta da cozinha na fachada lateral esquerda e outra junto a fachada lateral direita onde forma o banheiro e despensa, todos cobertos com telha cerâmica tipo capa e canal com beirais em cachorro arrematado em tabeca e formando rodo em seus cunhais. Sua alvenaria é de taipa de mão (pau a pique) e seu alicerce é composto de pedras grandes calçadas com pedras menores e argamassada em seus interstícios com massa de saibro. Sobre sua cabeçaria assentam-se os barrotes que  apoiados na madre e nos baldrames sustentam o soalho de tábuas justapostas. O alpendre possui estrutura de madeira sobre piso de tábuas apoiados em barrotes sobre alicerce de pedra. Seu guarda corpo, também em madeira possui fechamento  em tábuas formando balaústres. A varanda da porta da cozinha é formada por dois pilares de alvenaria onde apóia a cobertura e interligado na parte inferior por uma mureta formando bancos em dois de seus lados. As janelas são de vergas retas e possuem uma folha composta de tábuas justapostas e são travadas em seu tardoz por duas travessas horizontais. As portas  também com vergas retas, também possuem uma folha com tábuas justapostas travadas em seu tardoz por três travessas. O imóvel possui nove cômodos sendo duas salas, uma cozinha, um banheiro, uma despensa e quatro quartos.
            A casa em bom estado de conservação possui goteiras que prejudicam as estruturas de madeira da residência. Houve um acréscimo da casa para dispensa e banheiro.
Até 1940, a Barra Bonita era chamada de Córrego dos Paula, nome da sede da Fazenda.

5. Fazenda de Rafael Gonçalves de Lima – Cachoeira do Pinhal

Foto do acervo do SPHAC
                A fazenda se localiza no bairro Cachoeira do Pinhal, mas esse é o nome da propriedade, no sopé de um morro distante 100 m do Ribeirão da Cachoeira. Ao redor da Fazenda há pomar, monjolo e fábrica de polvilho. Contam que a casa foi construída há 220 anos por João Rafael, e ao passar dos tempos ficou para Chico Rafael, avô de Rafael Gonçalves de Lima.
                A descrição do SPHAC no inventário de 2004 é:
A simplicidade do partido arquitetônico adotado nesta residência faz dela um dos poucos exemplares ainda existentes no município. Desprovida de quaisquer ornamentos, mas de grande valor arquitetônico devido a sua técnica construtiva, a residência em questão apresenta paredes executadas em taipa de mão (pau a pique) em grande parte de seu corpo principal e alvenaria de tijolo de barro cozido em poucas outras. O imóvel possui cobertura em seis águas recoberta com telha cerâmica tipo capa e canal, com beirais em cachorro arrematado em tabeca e formando rodo em seus cunhais. Seu alicerce é composto de pedras grandes calçadas com pedras menores e argamassada em seus interstícios com massa de saibro. Sobre sua cabeçaria assentam-se os barrotes que apoiados nos baldrames sustentam o soalho de tábuas justapostas. No canto esquerdo da fachada principal existe um alpendre construído em alvenaria de tijolos com cobertura em uma água sendo esta prolongamento da água principal. Suas janelas são de vergas retas e formadas por dois caixilhos tipo guilhotina composto de quatro panos de vidros lisos transparentes cada um e duas folhas de escuros composto de tábuas justapostas travadas em seu tardoz com duas travessas horizontais. As portas também com vergas retas são bifore e suas folhas compostas de tábuas justapostas travadas em seu tardoz por três travessas horizontais. O imóvel apresenta seis janelas e uma porta na fachada principal; duas janelas na fachada lateral direita; na fachada posterior encontramos seis janelas e uma porta na parte superior e três portas com três janelas na inferior; e, na fachada lateral esquerda cinco janelas. Junto a fachada principal encontramos um jardim e uma área cimentada que dá acesso também a um depósito construído a esquerda também em alvenaria de taipa de mão (pau a pique).
A casa não é tombada pelo Patrimônio Histórico, está em bom estado de conservação e a cozinha de taipa foi substituída por alvenaria de barro cozido e piso frio sobre o assoalho.
O Sr. Francisco Rafael apresenta ao SPHAC duas informações: que a fazenda possuía escravos, porém, não há qualquer vestígio ou objetivo que justifique tal informação, e, também não há qualquer documento que aponte tal fato. Também afirma que seu avô foi fundador da Loja Maçônica de Muzambinho.
A História da Barra Bonita é pouco explorada e muitos fatos daquelas redondezas não são conhecidas.


Fotos do SPHAC, de outubro de 2002, Luiz Ricardo de Podestá, constantes do Inventário